O primeiro dia da missão italiana empresarial e institucional “Costruire Futuro. Crescimento comum UE-Mercosul" no Brasil foi intenso e pautado por rodadas de negociações institucionais e empresariais. O presidente da Agência para a Promoção no Exterior e a Internacionalização das Empresas Italianas (ICE), Matteo Zoppas, classificou a largada como "um sucesso" e uma vitrine de potencialidades mútuas. O Brasil é o segundo destino da delegação, que já passou pela Argentina.
Encontros bilaterais
O dia começou com rodadas de negociações entre empresas dos dois países. O objetivo era apresentar as empresas italianas interessadas em prospectar parcerias e oportunidades no Brasil. Os setores representados foram infraestrutura energética, farmácia, agroindústria alimentar, maquinário e tecnologias digitais.
Empresários e CEOs de empresas italianas demonstraram entusiasmo com a receptividade das empresas brasileiras. "As primeiras impressões são muito boas. Tivemos mais de mil empresas brasileiras interessadas", indicou Zoppas. Já Roberto Lodici, CEO da Galvo Service SRL, empresa italiana que fornece a base para produtos cromado, indicou considerar abrir uma subsidiária no Brasil e manifestou interesse renovado no País na esteira do acordo comercial entre o Mercosul e o bloco europeu.
Inteligência artificial, intercâmbio entre instituições de ensino e pesquisa também foram pauta das conversas entre italianos e brasileiros.
Comitê para impulsionar negócios
Animado com as perspectivas ensejadas pela missão, o ministro das Relações Exteriores e vice-primeiro-ministro da Itália, Antonio Tajani, anunciou a criação de um grupo de trabalho bilateral permanente para facilitar o intercâmbio entre as cadeias produtivas de Itália e Brasil. "A ideia é ter um contato contínuo e cotidiano para solucionar problemas de empresas italianas no Brasil e vice-versa".
A cúpula bilateral é, segundo Zoppas, uma sinalização clara de que a Itália "acredita no potencial do Brasil e entende que há boas alternativas para empresas italianas no País". O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Elias Rosa, fez coro. "A Itália domina a agroindústria e isso é vital para o Brasil, que é o maior exportador de alimentos do mundo". Rosa fez questão de analisar os dois lados da moeda e destacou que o Brasil sobeja na bioeconomia, "o que representa grande oportunidade para investimentos italianos".
Para o ministro, o acordo entre União Europeia e Mercosul permite uma maior integração produtiva entre os dois países, "já irmanados em tantos traços culturais".
Mesas setoriais
Ao fim da tarde, mesas setoriais tiveram como objetivo apresentar empresas brasileiras de referência em seus respectivos setores e, por consequência, oportunidades de parcerias e investimentos.
Na atividade que agregou empresas da área de tecnologia houve apresentações do Cubo Itaú, sobre o ecossistema de fomento a startups, da Brascom, que falou sobre as tendências na área de tecnologia no Brasil e os desafios regulatórios, e de empresas italianas que buscam acesso ao mercado brasileiro.
A ideia das mesas setoriais é promover sincronia de necessidades e objetivos entre empresas brasileiras e italianas. Esse movimento ganha mais impulso com uma segunda etapa, que acontecerá nesta quinta (10), quando lideranças empresariais italianas irão visitar empresas brasileiras para intensificar essa imersão e facilitar a identificação de afinidades e interesses.
Missão segue até o dia 18
Já nesta quinta (10), a missão se desdobra em duas comitivas. A primeira, que cumprirá essa agenda de visitas a empresas sediadas em São Paulo, e uma segunda que ruma para Brasília. Na capital federal, estão previstos encontros com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e órgãos diversos como Apex Brasil, BNDES, ANEEL, Ministério de Minas e Energia, Banco do Nordeste.
A missão terá agendas, ainda, na Bahia e Ceará com foco em infraestrutura e energia.
