A Enel recebeu nesta quinta-feira (10) a comitiva de transição energética da Missão Empresarial Itália-Brasil para uma visita técnica em São Paulo. O encontro reuniu representantes da multinacional italiana e integrantes da missão para discutir o cenário do setor elétrico brasileiro, com destaque para o mercado livre de energia, o varejo elétrico, a recém-aprovada Lei nº 15.269/2025 e os desdobramentos regulatórios que devem redesenhar a relação entre distribuidoras e consumidores nos próximos anos.
Durante a apresentação, a Enel se posicionou como "parceira estratégica" do Brasil na transição energética, ressaltando a abrangência de sua atuação no país — que vai da distribuição de energia elétrica à geração renovável e à comercialização no ambiente livre de contratação.
Presença nacional e escala de operação
A companhia detalhou a extensão de suas operações em diferentes estados. No Ceará, a Enel atende a totalidade dos 184 municípios, somando 4,3 milhões de clientes. No Rio de Janeiro, a cobertura abrange 66 municípios de todo o estado, com exceção da capital, totalizando 3,1 milhões de clientes atendidos.
É em São Paulo, no entanto, que a operação da Enel atinge sua maior escala: a distribuidora é a segunda maior da América Latina no segmento, atendendo 8,3 milhões de clientes e uma população de 18 milhões de habitantes em 24 municípios, em uma área de concessão de 4,5 mil km².
A infraestrutura que sustenta essa operação inclui 50,9 TWh de energia injetada anualmente, 43 mil km de redes de distribuição, 163 subestações, 476 transformadores de potência e 225 mil transformadores de distribuição. O sistema conta ainda com 1.880 alimentadores, 12.476 pontos de telecontrole, 3 milhões de medidores eletrônicos e 900 geradores móveis para subestações — um conjunto que reflete o esforço de modernização e digitalização da rede.
Para o próximo ano, a Enel projeta a ampliação de sua infraestrutura tecnológica e de manutenção preventiva. Entre as metas anunciadas estão a instalação de mais 100 km de cabos protegidos (SPACE CAB), a implantação de 2.600 novos pontos de telecontrole e a realização de 700 mil intervenções de poda e desramificação de árvores; uma ação voltada à redução de interrupções no fornecimento causadas por vegetação próxima às redes.
Geração renovável em expansão
A área de geração da companhia, a Enel Green Power, também foi apresentada como um dos pilares da estratégia no Brasil. Toda a produção da divisão vem de fontes renováveis, somando atualmente 6,6 GW em operação, distribuídos em 52 usinas espalhadas por dez estados brasileiros.
A trajetória de crescimento da capacidade instalada é significativa: de 1,5 GW em 2015, a empresa saltou para 3,9 GW em 2020 e chegou aos atuais 6,6 GW em 2025 — mais que o quádruplo em uma década.
Dois empreendimentos foram citados como destaques desse portfólio. A usina solar de São Gonçalo, com 0,9 GW de capacidade, é uma das maiores da América Latina no segmento fotovoltaico e ocupa uma área equivalente a mais de duas vezes o território de Veneza. Já o complexo eólico de Lagoa dos Ventos, com 1,5 GW, é o maior da América Latina em sua categoria e tem capacidade para abastecer cerca de 6 milhões de famílias.
Mercado livre: a aposta na expansão
Um dos pontos centrais da apresentação à comitiva foi o mercado livre de energia, segmento no qual a Enel já atua com mais de 5 mil clientes atendidos com energia 100% produzida por fontes próprias e renováveis. A empresa está presente comercialmente em 25 estados brasileiros e no Distrito Federal, e é atualmente a segunda maior vendedora de energia no mercado livre do país, atrás apenas da mineira Cemig.
Foi justamente sobre esse segmento que a companhia concentrou parte relevante de sua argumentação diante da comitiva. Com a entrada em vigor da Lei nº 15.269/2025 e a nova regulamentação do setor, a Enel prevê uma ampliação expressiva do público elegível à contratação no ambiente livre: a expectativa é que o mercado alcance 6,5 milhões de clientes de baixa tensão já em 2027, número que deve saltar para 63,5 milhões a partir de 2028, quando a abertura for estendida também aos consumidores residenciais.
Esse movimento de flexibilização é visto pela empresa como uma oportunidade central de negócio para os próximos anos, e foi nesse contexto que a Enel se apresentou à missão como parceira estratégica para impulsionar tanto a transição energética quanto o desenvolvimento do mercado elétrico brasileiro, combinando sua capilaridade na distribuição, sua matriz 100% renovável na geração e sua experiência crescente na comercialização de energia.
