A missão “Costruire Futuro. Crescimento comum UE-Mercosul", com foco na ampliação do comércio, dos investimentos e das cadeias produtivas entre Brasil e Itália, reforçou as possibilidades de ampliação das relações bilaterais entre os dois países, com aumento do fluxo de negócios nas duas direções. Nesta quarta-feira (09), na sede da FIESP, uma plenária empresarial reunindo autoridades e representantes setoriais selou compromissos de trabalhar soluções práticas para reforço da pauta exportadora, por meio de um grupo de trabalho compartilhado.
Matteo Zoppas, presidente da Agência Italiana de Comércio Exterior (ICE) que organizou a missão, afirmou que o Brasil é estratégico para a expansão das exportações italianas. Ele relembrou que “a Itália exportou 5,8 bi de euros ao Brasil em 2025, confirmando um movimento contínuo de expansão desde o pós-pandemia”. O crescimento foi de 46% desde 2020 e deve chegar a 14 bilhões de euros ao ano na próxima década. Zoppas ainda comentou sobre a “diplomacia do crescimento” como uma das prioridades da ICE, que completa 100 anos de atuação internacional.
O ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, ressaltou o potencial de integração produtiva proporcionado pelo acordo Mercosul–União Europeia. Segundo ele, mais de mil empresas de capital italiano já atuam no Brasil, com oportunidades de expansão em áreas como agroindústria, bioeconomia e indústria de defesa. “O Brasil oferece uma política industrial bastante robusta e que tem apresentado resultados. A Itália pode contribuir decisivamente para a Nova Indústria Brasil”, completou o ministro.
Já o vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, destacou o crescimento das relações comerciais e defendeu uma aproximação contínua entre os setores empresariais. A proposta é realizar anualmente uma cúpula bilateral para acompanhar os resultados da parceria e solucionar entraves enfrentados pelas empresas. Tajani também apontou a necessidade de diversificar mercados diante das atuais tensões comerciais globais. “Esse acordo a longo prazo prevê um crescimento médio de 4% ao ano, mas nos primeiros meses o crescimento já foi substancial, o que sinaliza uma demanda reprimida e potencialidades para nossas cadeias produtivas”, finalizou Tajani.
Ainda durante o evento, Paulo Skaf, presidente da FIESP, destacou os laços históricos entre as duas nações e defendeu uma maior presença brasileira no mercado italiano. “Precisamos investir mais na Itália. Precisamos comprar mais da Itália e essa missão é de extrema importância para viabilizar essa nova história”, afirmou.
